Tapetes assinados ganham espaço

Certos tapetes não foram feitos para complementar a decoração. Sem nenhum exagero, eles foram criados para se converter em seu próprio centro. Ao contrário dos modelos tradicionais, em que as técnicas de tecelagem e a procedência acabam por definir o valor das peças, nos tapetes de autor é o impacto provocado pela obra o que conta mais pontos.

Sem se vincular a estilos, padrões e texturas do passado, seus criadores não seguem nenhum roteiro específico. Se permitindo viajar por uma gama maior de temas – abstratos ou abertamente figurativos – é na arte, mais do que nas tradicionais técnicas de tapeçaria, que eles vão buscar sua inspiração. E o resultado, claro, não poderia ser outro.

Prontos para imprimir efeito, movimento, assimetria a qualquer ambiente, eles são o tipo de produto indicado para quem está bem seguro de suas escolhas. Em outras palavras: quem opta por um tapete como esses, não deve ter como objetivo uma decoração convencional. Nem se ater a fórmulas do tipo sofá com duas poltronas, mais mesinha de centro.

Na maior parte das vezes, são os móveis e acessórios que gravitam ao redor deles. E, até por isso, apesar de alto, o investimento costuma valer a pena. Especialmente se considerarmos que muitos deles valem por um quadro e dispensam móveis mais elaborados a seu redor. Isso, quando não acabam por conquistar o próprio espaço das paredes.


“ASTRO” DOS TAPETES EM CURITIBA
Henning Kunow, designer e artista plástico alemão, nasceu em Cottbus, na região da Baixa Lusácia, em 1980. Formado pela célebre Fundação Bauhaus Dessau, estudou também escultura na Escola de Belas Artes de Dresden. Apaixonado desde a infância pela técnica da aquarela, em seus anos de estudo se aprofundou em teoria de cores.

Em sua primeira viagem ao Brasil, em 2006 se impressionou tanto pelo colorido da paisagem local que resolveu empreender uma longa viagem pelo País, apenas para registrá-lo em suas aquarelas. E foi assim que, em 2011, ao chegar em Curitiba, onde hoje vive, aceitou o convite da fábrica Originale Maison e passou a reproduzir seu trabalho em tapetes de náilon, de pequeno formato.

Anos depois, apresentado à designer Adriana Adam, Kunow tomou contato com a resina de poliuretano, material que lhe permite conceber seus tapetes em cores originais, quase como em uma pintura. “As tonalidades vibrantes e a forma de aplicar se encaixaram de forma ideal em meu trabalho. Foi um casamento perfeito”, comenta. “Acho que o mercado ainda tem uma certa resistência a tapetes multicoloridos. Por sua suavidade natural, acho que trabalhar com a aquarela foi a brecha”, considera o artista, que além de pintar, continua a produzir seus tapetes de náilon. Sendo que um deles, o Grau, foi recentemente premiado no concurso anual de design promovido pelo Museu da Casa Brasileira

Um reconhecimento que ele espera que possa ajudar a despertar nos arquitetos e consumidores um interesse por tapetes menos convencionais. “Quem valoriza um produto desse tipo não se liga apenas a seu aspecto ornamental. Compreende que cada tapete tem uma história e é único em suas cores e formato. Ou seja, possui conteúdo.”

E é por isso que, apesar do desenho irregular — por vezes até incidental — de suas criações, o designer não vê maiores dificuldades em integrá-las a qualquer ambiente. “Não acho que ele deva participar do projeto como peça definidora da decoração É possível, sim, continuar usando cores nos móveis. Tudo é uma questão de equilíbrio”, pontua.

Fonte: Bem Paraná

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