Pesquisa inédita relaciona dores na coluna com depressão

O Dia Mundial da Coluna é comemorado hoje, dia 16 de outubro, e nesta data é bom você estar atento. Segundo dados da Universidade de São Paulo (USP), 80% dos brasileiros vão fazer queixas de dor nas costas em algum momento da vida. Você sabia que a depressão e outras alterações psicológicas podem ter relação com as dores na coluna? Não? Pois, uma pesquisa brasileira inédita divulgada este mês e realizada com pacientes que sofriam de dor lombar crônica revelou que essas pessoas podem acabar desenvolvendo sintomas depressivos, inclusive.

O estudo foi produzido pelo Instituto de Patologia da Coluna de São Paulo (IPC) com 32 pessoas, entre homens e mulheres, que sofriam de discopatia degenerativa, que é o desgaste do disco intervertebral, e que pode causar vários problemas fisiológicos, como dor localizada ao longo da coluna e dores relacionadas com os nervos que irradiam para os membros superiores ou inferiores – a conhecida dor ciática. Segundo o biomédico do IPC e um dos coordenadores da pesquisa Luis Marchi, o tratamento inicial para esse mal é conservador com medicamentos anti-inflamatórios ou analgésicos, além de terapias físicas, como fisioterapia e pilates. Se a fonte do problema realmente for o disco intervertebral, a retirada deste disco pode ser feita através de cirurgia, substituindo-o por um “calço”. Além disso, técnicas psicológicas de enfrentamento de dor podem ser utilizadas para ajustar o impacto que a dor tem na vida do paciente.

Na pesquisa, os pacientes passaram por consulta com algum ortopedista ou neurocirurgião do IPC. Pacientes que não responderam a tratamentos conservadores receberam indicação de cirurgia. Logo após essa etapa, eles passaram por avaliação psicológica através de questionários, ocasião na qual o psicólogo avalia alguns parâmetros, como expectativas sobre o resultado cirúrgico, grau de depressão e de ansiedade. Depois da avaliação, foram filtrados os pacientes com dor crônica oriunda de discopatia degenerativa. Mas por que participaram da pesquisa somente pacientes que sofriam desse mal? Segundo o biomédico, a intenção era obter um grupo homogêneo, pretendendo-se evitar fatores que possivelmente interfeririam no resultado.

A pesquisa apontou uma alta prevalência de alterações psicológicas nos pacientes. O resultado revelou que 50% dos pacientes com dor estão em quadro depressivo, 54% sofrem de ansiedade e 22% de desesperança. Além disso, foram constatados altos índices de afastamento do trabalho por invalidez física e correlação da presença de ansiedade e depressão naqueles em que possuíam expectativas negativas quanto ao resultado cirúrgico. O estudo concluiu que a dor lombar crônica é acompanhada de quadros de dor e de alterações psicológicas, como ansiedade, depressão e desesperança.

Originalmente publicado no Blog Da Saúde