Para presidente da CNI, equilíbrio das contas públicas deve vir de reformas e corte de gastos

Anunciada por alguns órgãos do governo como a solução para a crise financeira que assola o Brasil, a proposta de aumentar os impostos não foi bem recebida pelo setor da indústria no país. Para Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional de Indústria, o aumento dos impostos vai penalizar ainda mais as empresas brasileiras que, inclusive, já estão sendo afetadas pela recessão enfrentada no país.

O presidente da confederação ressalta que a carga tributária do Brasil já é a mais alta entre os países emergentes, correspondendo a aproximadamente 33% no Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, segundo ele, o fim das desonerações financeiras elevou ainda mais a carga tributária das empresas, que são responsáveis por 30% da arrecadação de tributos no Brasil.

Aumento dos impostos prejudica economia

O presidente da CNI explica que o aumento dos tributos causa um efeito bola de neve, já que acaba refletindo em maiores despesas para as empresas fazendo com que, consequentemente, os produtos cheguem ao consumidor final com um valor mais elevado, reduzindo o poder de compra das famílias e afetando, por fim, a economia de forma negativa. “A elevação dos tributos drena recursos do setor privado para o setor público. Provoca o aumento dos custos das empresas e reduz o poder de compra das famílias, o que prejudica o crescimento da economia”, destaca Robson Braga de Andrade.

Em um contexto de crise, que tem como consequências a alta da inflação, dívida externa elevada, a queda na confiança de empresas internacionais e o aumento do desemprego, a elevação dos tributos acabaria apenas por aumentar as despesas de um setor que ainda pode contribuir para a superação deste período difícil.

É por isso que, de acordo com a CNI, a solução para o equilíbrio das contas públicas deve ser a contenção de gastos e não o aumento de impostos. Para Robson Braga de Andrade, esta é uma tarefa que é dever de todos: de todas as esferas do governo e também da sociedade.

Além disso, acelerar as reformas, em especial a da Previdência Social, também poderia melhorar o ambiente de negócios e restabelecer a confiança e empresários e consumidores em relação à recuperação da economia, o que pode gerar empregos, aumentar o poder de consumo das famílias e, por fim, resultar na melhora da economia e no equilíbrio das contas públicas.

A urgência em aprovar a Reforma da Previdência se deve ao aumento de gastos constante que o país vem enfrentando a partir do aumento da expectativa de vida dos cidadãos, o que reflete no pagamento de mais e mais benefícios previdenciários a cada ano. Assim, é importante, em primeiro lugar, frear as despesas para então pensar no aumento das receitas. Aprovar a Reforma da Previdência não prejudicaria os cidadãos que são beneficiados com as aposentadores e pensões e, além disso, seria o primeiro passo para pensar em outras reformas necessárias, como a tributária, que também aqueceriam a economia do país.

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