Fim do acordo com o Chile pela CAMEX – Robson Andrade CNI

Durante reunião realizada em julho desse ano, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a continuidade do acordo marítimo com o Chile até 2020, a decisão foi comunicada pela Secretaria Executiva do órgão. Vale ressaltar que esse acordo passou a ter validade em 1974, e que no primeiro momento tinha como principal meta fortalecer a marinha mercante das duas nações.

A Camex decidiu continuar com o acordo até 2020, quando acaba a vigência do contrato que foi renovado em 2015. A Confederação Nacional da Indústria (Robson Andrade CNI) defende há anos o rompimento desse convênio. A principal justificativa dada pela instituição são os sobre preços cobrados nas mercadorias, e também o entrave da competitividade.

A CNI divulgou nota na qual demostra toda a sua indignação. De acordo com o documento, as empresas não encontram nenhuma “justificativa plausível” para dar continuidade a esse acordo. Robson Andrade, presidente da CNI, afirma que há cláusulas que preveem a dissolução do acordo, e essa é uma das razões pelas quais a decisão da Camex gerou tantas dúvidas.

Andrade defende a adoção de medidas rápidas e eficazes para fazer com que a indústria no país cresça cada vez mais, e não seja “penalizada” com as altas taxas cobradas nessa rota.

Ainda segundo o órgão, esse adiamento vai prejudicar também a geração de empregos no país, de acordo com uma previsão da CNI, aproximadamente 15 mil postos de trabalho vão deixar de ser criados por conta da decisão. O documento também enfatiza o alto custo dos fretes, que em média são 45% acima dos valores praticados no mercado. Além disso, os produtos brasileiros vão continuar sendo 5% mais caros no mercado chileno.

A CNI afirma que as medidas previstas no acordo acabaram criando um duopólio entre duas empresas específicas, a chilena Hamburg Sud e a brasileira Hapag-Lloyd. A nível de comparação, a rota entre Brasil e Peru é composta por 30 navios.

Projeções comprovam a desvantagem do acordo

Os dados divulgados por uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas comprovam os impactos do acordo na prática. De acordo com o estudo, o sobre preço das mercadorias brasileiras no Chile ultrapassam os 50%. Além disso, com o fim do acordo, a previsão é de que haveria um aumento de 13,45% em atividades ligadas à manufatura, e 11,28% no agronegócio no Brasil.

Os principais beneficiados com o fim do acordo seriam os empreendedores ligados à agropecuária, cujo aumento poderia chegar a até 21,68%. Já o impacto na indústria extrativa seria de R$ 19,4%.

O aumento das importações é avaliado pela CNI como um ponto positivo para a economia no Brasil. Uma das razões é o fato de que o país importa insumos, considerados imprescindíveis para a indústria. Estima-se que os ganhos do comércio cheguem à US$ 636 bilhões com a abertura do mercado.

Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a tarifa mais alta cobrada pelos produtos brasileiros poderão influenciar a relação comercial com outros países, como, por exemplo, Estados Unidos.