É possível prever complicações na cirurgia de coluna?

banner_rotativo14Para idosos que serão submetidos a uma cirurgia de estenose espinhal, alguns indicadores simples de má saúde no pré-operatório podem prever um alto risco de complicações médicas, relata um estudo publicado no Spine.

“Em conjunto, esses fatores de risco podem ajudar na identificação de pacientes com maior risco de ataque cardíaco e outros eventos graves após a cirurgia de estenose da coluna vertebral. Esses fatores podem ajudar na seleção de pacientes e no planejamento de procedimentos, melhorando a segurança do paciente”, afirma o neurocirurgião especializado em coluna, Cezar Augusto de Oliveira (CRM-SP 123.161).

Fatores de risco para principais complicações médicas

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 12.000 pacientes submetidos à cirurgia de estenose espinhal na parte inferior da coluna, entre 1998 e 2009. Esses registros médicos agrupavam os prontuários médicos de veteranos americanos. “Os pacientes com estenose espinhal tem estreitamento do canal espinhal, o que causa dor nas costas, nas pernas e outros sintomas. É a razão mais comum para a cirurgia da coluna em idosos”, diz o médico.

A análise centrou-se na identificação dos fatores de risco para complicações médicas, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, pneumonia e sepse (infecção generalizada). A taxa global de tais complicações médicas foi de 2,1%, juntamente com um risco de 0,6% de morte dentro de 90 dias. Em comparação, a taxa de complicações relacionadas com a ferida cirúrgica foi de 3,2%.

O risco de complicações médicas aumentou progressivamente com a idade: de menos de  1% para os pacientes com menos de 50 anos para  4% para aqueles com 80 anos ou mais. Já o risco de complicações das feridas cirúrgicas era semelhante em todos os grupos etários.

Um fator de risco chave foi apontado pela Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) por meio de uma pontuação padrão para avaliar a aptidão dos pacientes para a cirurgia. Após o ajuste para outros fatores, o risco dos principais problemas de saúde era três vezes maior para pacientes ASA classe 4 (indicando algum tipo de doença grave) versus classe 1 (sem ou doença leve).

“Uma cirurgia mais extensa para estenose espinhal foi também um fator de risco significativo. As principais complicações médicas foram três vezes mais prováveis para pacientes submetidos à cirurgia com fusão espinhal (juntando duas vértebras) em comparação com procedimentos menos extensos de descompressão da coluna vertebral”, diz Cezar de Oliveira, que também é membro da Sociedade Brasileira de Coluna.

Segurança da cirurgia de estenose espinhal

Um risco aumentado também foi detectado em pacientes que faziam uso de certos medicamentos para doenças crônicas: o tratamento com insulina para a diabetes ou o uso de esteroides para tratar doenças como a doença pulmonar crônica. Um estado funcional pré-operatório inferior também foi um fator de risco para complicações médicas.

Os pesquisadores criaram um modelo incorporando estes fatores para ajudar na identificação de pacientes com alto risco de complicações médicas. O modelo mostrou valor preditivo “moderado”, semelhante ao de outros exames médicos comuns.

“A cirurgia para estenose espinhal está concentrada entre os idosos, grupo no qual as complicações são mais frequentes do que entre os pacientes de meia idade. Muitos estudos têm se voltado para as complicações relacionadas à infecção ou problemas no sítio cirúrgico depois da estenose da coluna vertebral, mas poucos têm se centrado sobre o risco de maiores complicações médicas, potencialmente fatais”, observa o neurocirurgião.

Os autores observam algumas limitações importantes no estudo, incluindo o uso exclusivo da população de pacientes veteranos, que era quase exclusivamente masculina e tinha um alto índice de problemas de saúde adicionais.

No entanto, os resultados mostram alguns fatores de risco importantes para as principais complicações médicas após a cirurgia de estenose espinhal, especialmente entre os idosos. “Regras de predição com base em tais fatores de risco facilmente avaliáveis ​ ​ podem melhorar o planejamento cirúrgico, o processo de consentimento informado do paciente e as estratégias para a redução de risco”, defende o médico.

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