Como ser Hacker

Quem em sã consciência passaria sua senha de e-mail por telefone a um estranho? Com certeza ninguém. Mas e se fosse alguém importante? Um desconhecido com autoridade (que se apresenta como o chefe de seu chefe) ou um estranho que inspirasse confiança (que saiba tudo sobre o seu trabalho, por exemplo)? Em um cenário ainda mais sedutor: imagine que esse alguém alegasse trabalhar na mesma empresa que você e estar precisando, urgentemente, da sua senha para entrar no sistema? Provavelmente, muitos já iriam pensar duas vezes.

Cartão de visita de Kevin Mitnick, o Consultor de Segurança

Poucas invenções foram tão determinantes para a modernização das empresas como as redes de telefonia e de informática. O tráfego virtual de informações e mensagens acelerou processos, encurtou caminhos e permitiu novas formas de trabalho em equipe. Só que os dados que circulam por fios e cabos também chamam a atenção de criminosos e, em pouco tempo, diminuir a vulnerabilidade dessas redes tornou-se uma prioridade dos executivos.

Ficha de Kevin Mitnick em 1992, quando era procurado

Milhões de dólares são gastos anualmente pelas grandes companhias para a criação de firewalls (barreiras de proteção), mecanismos de autenticação ou códigos de acesso. É inegável que a evolução dos sistemas trouxe mais segurança para a relação com as máquinas. Mas nem os melhores peritos são capazes de garantir proteção absoluta. Uma das dificuldades está no lado “humano” do problema: o contato direto entre as pessoas!

Talvez ninguém tenha explorado tão bem essas vulnerabilidades como o americano Kevin Mitnick. Nos anos 90, quando as questões de segurança ainda começavam a ganhar importância na agenda dos executivos, Mitnick ganhou fama ao liderar ataques cibernéticos a algumas das maiores companhias do mundo como a Sun Microsystems, NEC, Motorola e Nokia. As suas proezas eram de deixar qualquer departamento de segurança estarrecido: cópia de informações estratégicas; roubo de senhas dos administradores das redes; clonagem de números de telefones e de acesso a contas bancárias.

Manual do Hacker

Uma vez, no tribunal, um juiz chegou a dizer que os ataques perpetuados por ele seriam capazes de iniciar uma guerra nuclear. As suas peripécias foram contadas na imprensa, até serviram de argumento para cinema, tanto que hoje, Mitnick tem essas experiências  relatadas no livro A Arte de Enganar (escrito por ele mesmo), com detalhes tão minuciosos que fazem o mesmo parecer um manual da profissão. Numa época em que os hackers ainda eram pouco conhecidos, Mitnick tornou-se o criminoso digital mais perigoso e procurado do mundo.

Livro "A Arte de Enganar", de Kevin Mitnick

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *